O mundo é dos otários!

Boa noite, irmãos.

Durante o dia e a noite me vêm vários pensamentos sobre temas a abordar neste espaço. Mas senti uma Força maior quando pensei nessa frase que escrevi.

A provocação é iminente. Popularmente, consideramos um “otário” aquela pessoa que é facilmente enganada pelos pseudo-sábios (palavra comum da Doutrina Espírita, a qual designa os espíritos que evoluíram um pouco no intelecto, mas que consideram-se gênios – ao longo do post, os leitores concluirão o porquê da minha escolha de palavras: paciência, por favor).

Mas, vamos mergulhar fundo nisso. Em primeiro lugar, que características que um otário possui? A primeira delas seria a incapacidade de enganar os outros: seu instinto é o de ser verdadeiro.

Os otários não foram os primeiros a surgirem em nossa sociedade: antes deles, vieram os pseudo-sábios. Espíritos que, nos primórdios da humanidade, subiram um leve degrau na evolução intelectual e perceberam que não precisavam ser autênticos o tempo todo para conseguir o que queriam. Os demais, que não subiram esse degrau, continuaram acreditando que tudo que lhes era dito era considerado sempre verdade. E os ensinamentos, de ambos os lados, para as próximas gerações.

Os pseudo-sábios se intitulando “os espertos” usaram sua desonestidade e deram a desculpa do instinto de sobrevivência para seu modus vivendi.

Os otários ensinaram que é fazendo o bem que o bem acontece e o valor da palavra e da verdade.

Mais tarde, surgiram os que chamarei de neutros, que são os que evoluíram como os pseudo-sábios, no aspecto intelectual, mas também o conseguiram um pouco no moral, o suficiente para escapar (pelo menos algumas vezes) das emboscadas dos otários e, ao mesmo tempo, não sugando os otários.

Desse modo, a medida que os neutros chegaram, várias organizações, instituições e leis foram criadas para dar mais segurança aos otários e restrições de poder para os pseudo-sábios. Só que tudo isso tem um custo. Se o mesmo fosse razoável, eu não reclamaria. Mas hoje as coisas estão em proporções titânicas. R$ 6,00 por uma autenticação de cópia, R$ 5.000,00 para transferência de imóvel, R$ 70,00 para emissão de novo CRLV de veículo. Todo mundo é pseudo-sábio, exceto os que pagam caro para provar o contrário.

(estou ciente de que pessoas trabalham nesses lugares e precisam de salário, por isso não reclamo de taxas justas, mas boa parte desse dinheiro não vai para o funcionário que te atende!)

Tudo isso aconteceu por causa dos pseudo-sábios. Se houvesse apenas otários no mundo, não haveria necessidade da desconfiança e de órgãos para regular uma série de coisas. O otário não dirige se estiver cansado ou bêbado (se é que bebe). O otário ensina a verdade para seus descendentes e alunos. O otário acredita no bem acima de tudo (ainda que seja ateu). O otário tem energia e disposição para fazer o certo.

O neutro teria, em teoria, tudo isso, mas há dois pontos: o neutro é apenas um escudo para o pseudo-sábio (sem ele, o neutro seria também um otário). Além disso, o neutro, como defesa, não hesita em virar a casaca e tentar enganar o pseudo-sábio, se necessário: ele tem a mesma inteligência.

Dessa forma, o modo de viver dos otários erradica uma série de instituições e, consequentemente, elimina prejuízos, burocracias desnecessárias e organiza um mundo onde há espaço para todos.

Dizem que o mundo é dos espertos, ou seja, daquele que sacaneia, judia, tripudia ou consegue até mesmo ser espiritualmente criminoso desde que não seja pego. Quem sustenta essa tese, está indo na contra-mão da evolução da Terra e, sendo mais pragmático, está contribuindo para os prejuízos que todos (inclusive os pseudo-sábios) enfrentam por causa do excesso de cuidados e desconfianças da sociedade. Sim, meus amigos, esse mundo é dos espertos, mesmo.

Mas o mundo que está para vir, regado pela bondade, que trará paz global e espaço para todos, e que há de vir e façamos força, atitudes e correntes positivas para que o venha….Esse mundo, sim, me faz dizer: O mundo é dos otários!

Abraços de Luz.

Professor Pajé.

p.s: os leitores acostumados com meu estilo provocativo estão cientes de que utilizei a palavra “otário”, em praticamente todo o post, me focando na conotação de “ausência de maldade”.

p.s.2: não adianta dizer que não há espaço ou riqueza para todos, pois há sim. Oras, 50% do ativo mundial está concentrado em sessenta e sete pessoas.

 

 

 

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Reuniões e palestras, fora.

Boa tarde, irmãos.

Parece que, ao contrário de há algum tempo, estou conseguindo acionar o Professor Pajé e fico feliz por isso, pois prometi a mim mesmo que não invocaria essa Força sem reais necessidades de compartilhar ideias.

Agora, uma questão pessoal para dar início aos trabalhos. Detesto reuniões e palestras. Com experiência de causa: assisti e participei de várias. Vamos às razões, que é o que interessa ao leitor:

Reuniões: serei breve, pois seria um segundo post meu sobre o assunto. Especificamente, reuniões não estratégicas e de “emergências” normalmente são improdutivas. Mistura-se muita coisa pessoal, objetivos não são claros, não há um compasso entre os participantes. Além disso, as ideias boas não surgem num coletivo em horário determinado, mas sim no individual reflexivo e analítico (ou eventualmente numa conversa informal a dois ou três). Não se decide quando que se terá uma boa ideia……Portanto é mais fácil aproveitar a Internet e quando a ideia surgir, enviar por e-mail aos interessados ou postar em um fórum de discussões. Reuniões com grande número de pessoas deve ser breves e quando a webconferência não cobrir as reais necessidades.

Palestras. Um segundo nome que dou para isso é “pagar para alguém cheio de papeis te dizer o óbvio” ou “pagar para alguém fazer propaganda de si mesmo”. Vários temas foram abordados em palestras e no final sempre a expressão: “mais detalhes, visite meu site ou compre meu livro” (talvez não com essas palavras, mas com essa ideia).

Por que penso assim? Em primeiro lugar, a capacidade de atenção passiva de uma pessoa não passa de 45 minutos (sendo que após a primeira terça parte já começa a decair). A tendência é que esse tempo reduza-se cada vez mais. A interatividade, pela natureza, não abre espaço para se apresentar contraponto ao palestrante, e isso até é compreensível, pois deve ser embaraçoso demais tratar de um tema subjetivo e alguém “do contra” queimar todos os argumentos do palestrante. Segundo que a maioria das palestras são melhor abordadas em artigos técnicos ou livros, que normalmente saem mais em conta, e a pessoa pode ler quantas vezes quiser e no seu ritmo. Palestra é um instrumento ultrapassado de se transmitir conhecimento: pior mesmo do que uma aula expositiva, sinceramente.

Os debates que o palestrante abrem têm nível de profundidade igual ou inferior ao de uma conversa de Facebook ou de blog e não é culpa do palestrante. Explico: um bom assunto requer a reflexão e, na hora da palestra, improvável que alguém tenha feito uma reflexão séria em tão pouco tempo. Na Internet, salvo os acalorados agressivos do teclado, existe a possibilidade de se refletir com o tempo que quiser e postar quando a pessoa tiver uma estrutura argumentativa pronta.

Precisamos ceder mais espaço para a reflexão e para os meios de reuniões e palestras modernos, que favorecem as nossas realidades e estruturas de pensamento de hoje. Webconferência, blogs, redes sociais, com o uso inteligente dessas ferramentas, seremos mais produtivos do que espectadores de uma palestra ou de uma reunião demorada, ambos improdutivos na sociedade do século XXI. O inútil deve ser descartado.

Abraços a todos.

Professor Pajé.

Teorema 85 do Ensino e Aprendizagem

Boa tarde, meus irmãos.

Teorema é uma argumentação demonstrada através de tautologias, teoremas anteriormente demonstrados e/ou axiomas (verdades que não se demonstram). O Teorema matemático bem provado é imune a discussões sobre sua eficácia, pois dentro da lógica não há o que se contestar: pode-se no máximo não compreendê-lo.

Exemplo de teorema:

a irracionalidade da raiz quadrada de 2. Utiliza-se a prova por absurdo. Isto é: vamos afirmar o contrário da conjectura (afirmação que, por falta de provas, ainda não é teorema. A conjectura pode virar um teorema – se bem provado – ou um sofisma, se provado falso – ou ainda permanecer conjectura se não for demonstrável adequadamente).

Nesse aspecto, vamos partir do princípio que “a raiz quadrada de 2 é irracional” ainda é conjectura. Desse modo, o seu contrário seria dizer “a raiz quadrada de 2 não é irracional, ou seja, é racional”. Se assim for, podemos escrever R2 (doravante R2 = raiz quadrada de 2, neste post) pode ser escrita como uma fração a/b onde a e b são inteiros, b não-nulo e mdc(a,b) = 1, para ficar na forma simplificada.

Assim sendo R2 = a/b <=> 2 = a^2/b^2 <=> a^2 = 2.b^2

Fatoração de um número: escrevê-lo como produto de fatores primos. Se “a” tem “n” fatores primos, então “a^2” que é “a.a”, terá 2n fatores primos (um número par de fatores primos).

Analogamente, b^2 terá um número par de fatores primos, mas 2b^2 tem um fator primo a mais, portanto 2b^2 tem um número ímpar de fatores primos.

Mas como isso é possível se a^2 = 2b^2?? Ou é par ou é ímpar o número de fatores? Repare que essa contradição é consequência da racionalidade suposta de R2, portanto R2 é irracional.

Desculpem o desvio exagerado, mas necessário para explicar o que é um teorema.

Agora, o tema do post é a relação entre ENSINO e APRENDIZAGEM.

Ensino é o que o docente faz: metodologias, avaliações, didática, postura, entonação de voz, caráter, transparência, equilíbrio, etc. Ou ainda, através do material didático que elabora (livro, apostila, fichário, site, blog, objeto de aprendizagem, desenho, etc).

Aprendizagem é o que o aluno faz: anotar, perguntar, raciocinar, criar, propor, discordar, acordar, analisar, refletir.

O ensino sem a aprendizagem é inócuo, pois se tem a ferramenta, mas não o objetivo. A aprendizagem também não ocorre sem o ensino pois se tem o objetivo, mas não o meio de se chegar lá (o aluno poder ser autodidata, mas o material que utilizou para aprender é que o ensinou, isto é, livro, vídeo, revista, artigo, etc).

Dessa maneira, o ensino sozinho e a aprendizagem também sozinha não têm “vida”. Para um viver, o outro é necessário estar junto. É uma relação de proto cooperação (adorei esse termo quando estudei Biologia no colégio), na qual um sustenta o outro para ambos existirem ou evoluírem.

O professor é responsável pela questão do ensino, mas a questão de aprendizagem é o aluno que deve trazê-la. Em uma classe onde os alunos não querem aprender, não há professor que ensine (no máximo, uma coação envolvendo nota e reprovação). Analogamente, sem o professor, o aluno não tem o que fazer (a não ser que, novamente, ele busque um material para estudar sozinho, mas que foi escrito por um “professor”).

Conclusão: se professores e alunos se rivalizarem, não ocorrerá ensino (pois uma viagem que leva a lugar nenhum não é uma viagem propriamente dita) e nem aprendizagem (o que adianta existir um lugar e sem meios de se chegar lá?). Um precisa do outro, pois a relação é de proto cooperação, sem a qual teremos professores tendo que mudar de carreira e, futuramente, não haverá carreira para ninguém se não houver alunos hoje. c.q.d.

E aí está provado o “teorema”: “ensino e aprendizagem não sobrevivem sozinhos”.

Batizei de Teorema 85, pois naturalmente devem existir outros “teoremas” sobre……..Estamos atentos.

Gratidão.

Professor Pajé.

 

 

 

Educação e o Sucesso no Trabalho

Prezados irmãos, meu sincero bom dia.

Estive afastado do Professor Pajé há muito tempo, pelo simples fato de que não consegui pensar em algo para escrever que siga a proposta de trazer ideias simples, nada novas, porém esquecidas e essenciais para o nosso progresso.

Então gostaria de fazer uma abordagem sobre Educação. Ao contrário de muitos pesquisadores que há anos não entram em uma sala de aula e ao contrário de muitos leigos, que dão pitaco sem conhecimento de causa, eu me considero apto a falar sobre esse tema: formação teórica e experiência prática de 10 anos pelo menos.

Um parênteses, relacionado, uma grande queixa das pessoas é que não há emprego suficiente. E outra queixa, dos empregados, é que trabalham muito e ganham pouco. E, agora, vou estabelecer o paralelo, entre trabalho e educação.

Um primeiro mito: o desemprego está alto.

Fato: realmente há muitas pessoas desempregadas. Mas o principal motivador para isso não é a falta de emprego, mas sim a escassez de pessoas qualificadas disponíveis no mercado (em geral, elas já estão empregadas). Para empregos que não requerem muita qualificação, realmente há filas de interessados e escassez de vagas. Para empregos que requerem qualificação, há poucas pessoas interessadas e muitas vagas abertas.

O segundo mito: trabalho muito e ganho pouco.

Fato: devido ao exagerado incentivo ao consumo, que permeia o inconsciente de parcela significativa da população, sentimentos de comprar e possuir vem a tona. O medo da discriminação de não ter um tênis de marca ou um carro de luxo, fobia de grupos sociais de crianças e adultos, respectivamente. Além disso, com rodízios, espetos corridos, barzinhos, happy hours, somos estimulados a uma vida noturna que, na cidade grande, raras vezes fica abaixo de R$ 100,00 por pessoa-noite. De fato, ganhamos pouco para isso tudo. E quanto a trabalhar demais, o crescimento exponencial da população faz com que aumente a demanda de trabalho em várias áreas e, pelo medo de demissão, as pessoas produzem de forma exagerada, sujeitando-se a condições sobre-humanas.

Mas isso acontece porque nos entregamos para o gado. Não se acomete desse malo quem sabe pensar por si mesmo.

Porém o que realmente acontece é que desejamos ganhar mais, trabalhar menos intensamente sem fazer qualquer esforço para melhorar. Aceitamos nos qualificar, mas a qualificação não deve exigir nada de nós. Exemplos: altos índices de evasão nas escolas para adultos, desistências estupidamente altas dos cursos de Pronatec (onde alunos SÃO PAGOS para se qualificarem). Compreendo os motivos, ou parte deles, mas “cada escolha é uma renúncia”: quem trabalha de dia e estuda de noite, tem que estar ciente que o tempo com a família e amigos vai necessariamente reduzir. É um sacrifício que não ocorre somente nas classes de menor renda, mas nas de alta também. A qualificação pede dedicação. Dedicação demanda sacrifícios. Mas também traz resultados: melhores ofertas de trabalho surgem, e com isso, melhor qualidade de vida.

O que não podemos continuar sonhando é com oportunidades que caem do céu e que não envolvem esforço: quem está no topo, honestamente, deu muitos anos de qualificação e sacrifício pessoal. Ninguém conseguiu do nada.

Fica o ensinamento. Reflita e veja o que este post tem a lhe dizer. Faça suas escolhas e colha os resultados.

Abraços de luz.

Professor Pajé.