Professor e Ensinante

Boa tarde, irmãos.

No episódio “Quadro-Negro”, da série “Carga Pesada” da Rede Globo (passando atualmente no canal Rede Vida da TV por assinatura), o personagem Bino (Stênio Garcia), carreteiro cheio de bondade na alma, está iniciando uma aula informal de alfabetização para adultos da zona rural de algum lugar mais afastado. Na sua aula, ele explica que todos somos capazes de ensinar algo a alguém. Todos somos professores.

Me chama a atenção essa frase: “Todos somos professores”.

A intenção do personagem e do roteirista é muito boa e o ensinamento, em princípio, é PARCIALMENTE verdadeiro. Estou de acordo em que todos temos algo a ensinar e muito mais ainda a aprender. Nascemos, vivemos e morremos ensinando e aprendendo.

Mas precisamos utilizar corretamente os nomes: professor não é simplesmente o que ensina, mas sim professor é o título atribuído ao cidadão QUALIFICADO, reconhecido pela Academia como tal, através de formação pedagógica (licenciatura, pedagogia, aperfeiçoamento e/ou pós-graduação). Vejam bem: professor é TÍTULO, além de profissão.

A formação para ser professor vai muito mais além do que o conhecimento a ser ensinado. Na sua bagagem de formação, um aspirante a professor estuda filosofia, sociologia, ações inclusivas, psicologia, didática, ensino-aprendizagem, pedagogia, entre outras ciências importantes e essenciais para o exercício correto da profissão e o merecimento do título e do respeito (e obrigações) que o acompanham.

Há muitas discussões na Internet quanto ao uso incorreto da palavra DOUTOR por parte de muitos profissionais, principalmente médicos e advogados, quando não defenderam publicamente uma tese de doutorado. No seriado Law and Order, quando alguém se dirige a um promotor, eles o chamam de “Mr.” ou “Mrs.” ou ainda “Ms” (senhor, senhora e senhorita respectivamente) e a legenda traduz como “Dr.” ou “Dra.”. No Friends, em um específico episódio, o personagem Ross Geller (doutor, com doutorado) em um episódio, que se passa num hospital, se identifica para o médico como “Dr. Geller”. A companheira Rachel diz para ele: “Não fale assim. Aqui é um hospital. Eles usam a palavra Doutor a sério” (risadas ao fundo).

Enfim, na questão de DOUTOR, estou apenas divagando……..

Mas o caso é que PROFESSOR é usado inapropriadamente também……Professor é quem tem licenciatura (uma comunidade do antigo Orkut) e, sim, de fato assim o é. Pois o professor tem uma responsabilidade de não apenas o saber em si, mas sim a de saber transmitir para muitas pessoas ao mesmo tempo (e quase sempre a maioria desinteressada nessa transmissão). Quem prepara o profissional é a Licenciatura: é para isso que ela está aí. Os bacharéis, por exemplo, têm uma bagagem de conhecimento maior, porém não receberam o mesmo preparo.

Há muitas pessoas que questionam o conteúdo das disciplinas de caráter educacional das licenciaturas. Mas aí é outro problema: como melhorar as licenciaturas? Qual o curso que é perfeito? Até a idolatrada Medicina é questionada……..E o questionamento é saudável para o aperfeiçoamento das ciências e dos profissionais.

Antes que me digam que são apenas palavras, eu tenho uma teoria: o uso negligente da palavra PROFESSOR não seria uma “explicação” cultural para o desprezo por parte de Governo, sociedade e mídia por essa profissão? Vale refletir.

E, para encerrar, quero dizer que os que ensinam sem ter a referida formação NÃO SÃO INFERIORES DE NENHUM MODO. Seus conhecimentos são importantes e fundamentais. Seu exercício profissional merece respeito, todavia vocês têm que escolher outro nome para o seu ofício: instrutor, orientador, conferencista, oficineiro, facilitador, focalizador, ensinante, treinador.

PROFESSOR é quem tem licenciatura. DOUTOR é quem tem doutorado.

Abraços do

Professor Pajé.

Obs:

Antes que alguém questione: tu não é Pajé e se apresenta nos posts como tal. Minha réplica: justifico-me pelo respeito e admiração que dirijo a todos os xamãs e pajés, os quais considero como meus guias e norteadores de vida. A cultura indígena, tão rica e ao longo dos séculos massacrada pelo colonizador, tem a minha homenagem, carinho e respeito. Inclino-me perante sua sabedoria. Nunca afirmei que sou um pajé ou algo semelhante.

Já o Professor, como sou licenciado e mestre em ensino de Matemática, não preciso nem ao menos justificar, né?

 

 

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Tu não serás menos homem se……

….. recusares a fazer sexo com uma mulher bonita que a ti se insinua. Sequer tens a obrigação de te justificares.

….. leres livros de autoajuda (não estou eu colocando meu pensamento sobre os mesmos: evito ser generalista nas análises)

….. frequentares psicólogo, terapeuta holístico ou outros tipos de terapeuta (mesma ressalva)

…. consultares cartas ciganas, tarólogos e afins (mesma ressalva)

….. tiveres ojeriza a futebol e/ou a MMA.

….. preferires Pilates ou Yoga a Hockey ou Jiu-Jitsu (são quatro atividades respeitáveis, com fins diferentes).

….. falares em uma roda de amigos que ama sua parceira. Complemento: tu podes te despedir da turma antecipadamente só porque estás com saudade dela e ninguém será inteligente em sacanear com comentários do tipo: “quer chegar antes do Ricardão né?” (aliás, interessante, que tipo de amizade é essa onde teu amigo insinua que a tua companheira é promíscua?? Eu não sei vocês, mas respeito muito os cônjuges dos meus amigos).

….. não tiveres time futebolístico de preferência e se fores apático com qualquer jogo de futebol na TV do bar (nasci no Rio Grande do Sul e não sou nem gremista e nem colorado. Tenho amigos que pensam assim, tenho amigos gremistas e amigos colorados)

…. declarares qualquer sentimento de carinho ou de, sim exatamente, AMOR, a um amigo seu.

….. parares de fazer o que está fazendo para ajudar um OUTRO HOMEM a carregar suas sacolas pesadas enquanto este abre o porta-mala do carro para carregá-lo. Ou por qualquer motivo que seja.

…. manifestar admiração por uma mulher (não vale mãe, irmã, filha, etc), principalmente se for bonita, por atributos não primitivamente sexuais como talento profissional, atitudes positivas ou notável saber.

….. admirar escritoras mulheres (um super beijo Lya Luft e outro pra ti, Lygia Bojunga Nunes. Que os grandes pajés continuem abençoando seus talentos!). Pode substituir escritora por outra área da cultura: cantora, dramaturga, atriz, esportista, professora, etc.

…. ter teu carro estragado no meio da estrada, não saber o que fazer e pedir ajuda para alguém. Pontos extras se uma mulher ajudá-lo e tu não te sentires menos homem por isso. Pode ser qualquer problema doméstico (encanamento, eletricidade, etc).

…. fores “chamado pra raia” e dizeres ao seu semelhante que não queres brigar e até pedir para que, por favor, se resolva a coisa de outra maneira.

… fores a uma delegacia da Polícia porque foi agredido pelo teu cônjuge (Homens não batem em mulheres……..E Mulheres não batem em homens. Basta de violência: o lar deve ser aconchegante e respeitoso).

…. admirares flores, árvores, frutas, plantas de diversos tipos, rios, lagoas. Adiciono também filmes românticos. Principalmente se essa admiração vem do coração (sugestão para os meus irmãos: Pão e Tulipas – sensacional. Uma ex-cliente de Holística me indicou há alguns anos).

…. atenderes a uma solicitação da tua esposa ou namorada com relação a algum fazer doméstico sem se sentir “mandado” ou “castrado” (vide adiante essa questão do mandar-obedecer o que penso).

…. chorares ou admitires qualquer fraqueza, principalmente relacionado a físico ou ao coração.

… tiveres dificuldade ou não souberes dirigir.

…. gostares de trocar móveis de lugar.

…. fizeres exames médicos de rotina.

…. batalhares por um divórcio (se necessário) justo……Jamais direi sem prejuízos, pois ninguém disse que rompimentos são fáceis.

… gostares dos afazeres domésticos, de todos ou de alguns apenas, tanto faz.

…. praticares religiões não patriarcais (as que referem-se a divindade como um ser sem gênero ou feminino).

… tiveres nojo de sangue, briga, guerras, etc.

… achares alguma criatura ou coisa “fofinha”.

… não tiveres dinheiro para levar namorada, esposa ou paquera para um bom restaurante ou se precisar dividir, ou ainda pedir para a parceira arcar com a despesa (não estou incentivando a malandragem: Homem de verdade respeita a todos).

Falo em nome dos Homens: chega de piadas de “mariquinhas” ou coisas do tipo. Homem pode ser delicado, compreensivo, franzino, descoordenado para briga, perna-de-pau, afutebolístico que não perde o gênero e nem se inferioriza.

A expressão “coisa de viado” lembra o degradante “que negrice” do passado dos ancestrais de muitos aqui. Pensem nisso!!!

Ademais, Homens também tem direito a (tudo abaixo se aplica igual para as mulheres):

– participar, sinceramente, das resoluções a serem tomadas em casa. Decidir, junto com sua (ou seu) companheira(o), as questões organizacionais, familiares, financeiras. Quem se acha no direito de mandar, é porque não se desenvolveu o suficiente para viver com outra pessoa. Quem se acha na obrigação de obedecer, é porque carrega traumas não tratados dentro de si.

– escolher a(o) companheira(o) que quiser (com o consentimento dela(e), óbvio!!) e ter direito de escolher o tipo de relacionamento que deseja (direito esse atribuído igualmente a(o) parceira(o)). De preferência, com autenticidade.

– participar da decisão de gerar prole (quantidade e momento, se for o caso). Vejam bem: me refiro aos filhos planejados. Da mesma forma, fica a obrigação de assumir (não só financeira, mas sim sob os demais aspectos) todos os que gerares, planejando ou não. Dentro dessa decisão, fica o direito de adotar os procedimentos contraceptivos que julgares adequado.

– escolher a carreira profissional que desejar e mudar durante o percurso da vida. Se casado, apenas conversar com a(o) companheira(o) para combinarem uma estratégia adequada.

– escolher a religião que desejar, os amigos que convier e os hobbies que gosta.

– buscar o que julga adequado para ser feliz sem prejudicar ninguém. Construir a sua história.

Abraços a todos.

Professor Pajé.

 

 

 

Reuniões e palestras, fora.

Boa tarde, irmãos.

Parece que, ao contrário de há algum tempo, estou conseguindo acionar o Professor Pajé e fico feliz por isso, pois prometi a mim mesmo que não invocaria essa Força sem reais necessidades de compartilhar ideias.

Agora, uma questão pessoal para dar início aos trabalhos. Detesto reuniões e palestras. Com experiência de causa: assisti e participei de várias. Vamos às razões, que é o que interessa ao leitor:

Reuniões: serei breve, pois seria um segundo post meu sobre o assunto. Especificamente, reuniões não estratégicas e de “emergências” normalmente são improdutivas. Mistura-se muita coisa pessoal, objetivos não são claros, não há um compasso entre os participantes. Além disso, as ideias boas não surgem num coletivo em horário determinado, mas sim no individual reflexivo e analítico (ou eventualmente numa conversa informal a dois ou três). Não se decide quando que se terá uma boa ideia……Portanto é mais fácil aproveitar a Internet e quando a ideia surgir, enviar por e-mail aos interessados ou postar em um fórum de discussões. Reuniões com grande número de pessoas deve ser breves e quando a webconferência não cobrir as reais necessidades.

Palestras. Um segundo nome que dou para isso é “pagar para alguém cheio de papeis te dizer o óbvio” ou “pagar para alguém fazer propaganda de si mesmo”. Vários temas foram abordados em palestras e no final sempre a expressão: “mais detalhes, visite meu site ou compre meu livro” (talvez não com essas palavras, mas com essa ideia).

Por que penso assim? Em primeiro lugar, a capacidade de atenção passiva de uma pessoa não passa de 45 minutos (sendo que após a primeira terça parte já começa a decair). A tendência é que esse tempo reduza-se cada vez mais. A interatividade, pela natureza, não abre espaço para se apresentar contraponto ao palestrante, e isso até é compreensível, pois deve ser embaraçoso demais tratar de um tema subjetivo e alguém “do contra” queimar todos os argumentos do palestrante. Segundo que a maioria das palestras são melhor abordadas em artigos técnicos ou livros, que normalmente saem mais em conta, e a pessoa pode ler quantas vezes quiser e no seu ritmo. Palestra é um instrumento ultrapassado de se transmitir conhecimento: pior mesmo do que uma aula expositiva, sinceramente.

Os debates que o palestrante abrem têm nível de profundidade igual ou inferior ao de uma conversa de Facebook ou de blog e não é culpa do palestrante. Explico: um bom assunto requer a reflexão e, na hora da palestra, improvável que alguém tenha feito uma reflexão séria em tão pouco tempo. Na Internet, salvo os acalorados agressivos do teclado, existe a possibilidade de se refletir com o tempo que quiser e postar quando a pessoa tiver uma estrutura argumentativa pronta.

Precisamos ceder mais espaço para a reflexão e para os meios de reuniões e palestras modernos, que favorecem as nossas realidades e estruturas de pensamento de hoje. Webconferência, blogs, redes sociais, com o uso inteligente dessas ferramentas, seremos mais produtivos do que espectadores de uma palestra ou de uma reunião demorada, ambos improdutivos na sociedade do século XXI. O inútil deve ser descartado.

Abraços a todos.

Professor Pajé.

Teorema 85 do Ensino e Aprendizagem

Boa tarde, meus irmãos.

Teorema é uma argumentação demonstrada através de tautologias, teoremas anteriormente demonstrados e/ou axiomas (verdades que não se demonstram). O Teorema matemático bem provado é imune a discussões sobre sua eficácia, pois dentro da lógica não há o que se contestar: pode-se no máximo não compreendê-lo.

Exemplo de teorema:

a irracionalidade da raiz quadrada de 2. Utiliza-se a prova por absurdo. Isto é: vamos afirmar o contrário da conjectura (afirmação que, por falta de provas, ainda não é teorema. A conjectura pode virar um teorema – se bem provado – ou um sofisma, se provado falso – ou ainda permanecer conjectura se não for demonstrável adequadamente).

Nesse aspecto, vamos partir do princípio que “a raiz quadrada de 2 é irracional” ainda é conjectura. Desse modo, o seu contrário seria dizer “a raiz quadrada de 2 não é irracional, ou seja, é racional”. Se assim for, podemos escrever R2 (doravante R2 = raiz quadrada de 2, neste post) pode ser escrita como uma fração a/b onde a e b são inteiros, b não-nulo e mdc(a,b) = 1, para ficar na forma simplificada.

Assim sendo R2 = a/b <=> 2 = a^2/b^2 <=> a^2 = 2.b^2

Fatoração de um número: escrevê-lo como produto de fatores primos. Se “a” tem “n” fatores primos, então “a^2” que é “a.a”, terá 2n fatores primos (um número par de fatores primos).

Analogamente, b^2 terá um número par de fatores primos, mas 2b^2 tem um fator primo a mais, portanto 2b^2 tem um número ímpar de fatores primos.

Mas como isso é possível se a^2 = 2b^2?? Ou é par ou é ímpar o número de fatores? Repare que essa contradição é consequência da racionalidade suposta de R2, portanto R2 é irracional.

Desculpem o desvio exagerado, mas necessário para explicar o que é um teorema.

Agora, o tema do post é a relação entre ENSINO e APRENDIZAGEM.

Ensino é o que o docente faz: metodologias, avaliações, didática, postura, entonação de voz, caráter, transparência, equilíbrio, etc. Ou ainda, através do material didático que elabora (livro, apostila, fichário, site, blog, objeto de aprendizagem, desenho, etc).

Aprendizagem é o que o aluno faz: anotar, perguntar, raciocinar, criar, propor, discordar, acordar, analisar, refletir.

O ensino sem a aprendizagem é inócuo, pois se tem a ferramenta, mas não o objetivo. A aprendizagem também não ocorre sem o ensino pois se tem o objetivo, mas não o meio de se chegar lá (o aluno poder ser autodidata, mas o material que utilizou para aprender é que o ensinou, isto é, livro, vídeo, revista, artigo, etc).

Dessa maneira, o ensino sozinho e a aprendizagem também sozinha não têm “vida”. Para um viver, o outro é necessário estar junto. É uma relação de proto cooperação (adorei esse termo quando estudei Biologia no colégio), na qual um sustenta o outro para ambos existirem ou evoluírem.

O professor é responsável pela questão do ensino, mas a questão de aprendizagem é o aluno que deve trazê-la. Em uma classe onde os alunos não querem aprender, não há professor que ensine (no máximo, uma coação envolvendo nota e reprovação). Analogamente, sem o professor, o aluno não tem o que fazer (a não ser que, novamente, ele busque um material para estudar sozinho, mas que foi escrito por um “professor”).

Conclusão: se professores e alunos se rivalizarem, não ocorrerá ensino (pois uma viagem que leva a lugar nenhum não é uma viagem propriamente dita) e nem aprendizagem (o que adianta existir um lugar e sem meios de se chegar lá?). Um precisa do outro, pois a relação é de proto cooperação, sem a qual teremos professores tendo que mudar de carreira e, futuramente, não haverá carreira para ninguém se não houver alunos hoje. c.q.d.

E aí está provado o “teorema”: “ensino e aprendizagem não sobrevivem sozinhos”.

Batizei de Teorema 85, pois naturalmente devem existir outros “teoremas” sobre……..Estamos atentos.

Gratidão.

Professor Pajé.

 

 

 

Educação e o Sucesso no Trabalho

Prezados irmãos, meu sincero bom dia.

Estive afastado do Professor Pajé há muito tempo, pelo simples fato de que não consegui pensar em algo para escrever que siga a proposta de trazer ideias simples, nada novas, porém esquecidas e essenciais para o nosso progresso.

Então gostaria de fazer uma abordagem sobre Educação. Ao contrário de muitos pesquisadores que há anos não entram em uma sala de aula e ao contrário de muitos leigos, que dão pitaco sem conhecimento de causa, eu me considero apto a falar sobre esse tema: formação teórica e experiência prática de 10 anos pelo menos.

Um parênteses, relacionado, uma grande queixa das pessoas é que não há emprego suficiente. E outra queixa, dos empregados, é que trabalham muito e ganham pouco. E, agora, vou estabelecer o paralelo, entre trabalho e educação.

Um primeiro mito: o desemprego está alto.

Fato: realmente há muitas pessoas desempregadas. Mas o principal motivador para isso não é a falta de emprego, mas sim a escassez de pessoas qualificadas disponíveis no mercado (em geral, elas já estão empregadas). Para empregos que não requerem muita qualificação, realmente há filas de interessados e escassez de vagas. Para empregos que requerem qualificação, há poucas pessoas interessadas e muitas vagas abertas.

O segundo mito: trabalho muito e ganho pouco.

Fato: devido ao exagerado incentivo ao consumo, que permeia o inconsciente de parcela significativa da população, sentimentos de comprar e possuir vem a tona. O medo da discriminação de não ter um tênis de marca ou um carro de luxo, fobia de grupos sociais de crianças e adultos, respectivamente. Além disso, com rodízios, espetos corridos, barzinhos, happy hours, somos estimulados a uma vida noturna que, na cidade grande, raras vezes fica abaixo de R$ 100,00 por pessoa-noite. De fato, ganhamos pouco para isso tudo. E quanto a trabalhar demais, o crescimento exponencial da população faz com que aumente a demanda de trabalho em várias áreas e, pelo medo de demissão, as pessoas produzem de forma exagerada, sujeitando-se a condições sobre-humanas.

Mas isso acontece porque nos entregamos para o gado. Não se acomete desse malo quem sabe pensar por si mesmo.

Porém o que realmente acontece é que desejamos ganhar mais, trabalhar menos intensamente sem fazer qualquer esforço para melhorar. Aceitamos nos qualificar, mas a qualificação não deve exigir nada de nós. Exemplos: altos índices de evasão nas escolas para adultos, desistências estupidamente altas dos cursos de Pronatec (onde alunos SÃO PAGOS para se qualificarem). Compreendo os motivos, ou parte deles, mas “cada escolha é uma renúncia”: quem trabalha de dia e estuda de noite, tem que estar ciente que o tempo com a família e amigos vai necessariamente reduzir. É um sacrifício que não ocorre somente nas classes de menor renda, mas nas de alta também. A qualificação pede dedicação. Dedicação demanda sacrifícios. Mas também traz resultados: melhores ofertas de trabalho surgem, e com isso, melhor qualidade de vida.

O que não podemos continuar sonhando é com oportunidades que caem do céu e que não envolvem esforço: quem está no topo, honestamente, deu muitos anos de qualificação e sacrifício pessoal. Ninguém conseguiu do nada.

Fica o ensinamento. Reflita e veja o que este post tem a lhe dizer. Faça suas escolhas e colha os resultados.

Abraços de luz.

Professor Pajé.

Medíocre? Talvez! E daí?

Boa tarde, irmãos

A palavra medíocre lembra, para mim, a palavra “média”. Em português, média quer dizer nem acima e nem abaixo do esperado. Matematicamente, uma breve explicação seria:

Imagine uma lista de números, onde pelo menos haja dois distintos entre eles. Agora, como tarefa, vamos alterar esses números (para cima ou para baixo) até que todos eles sejam exatamente iguais, de maneira que a soma de todos eles em momento algum seja alterada. Quando todos os números ficarem iguais, teremos a média.

Isso pode ser feito da seguinte maneira:

dividir a soma desses números pela quantidade de números existentes na referida lista. Simples assim.

Não gosto de usar fórmulas, mas se tu quiser pesquisar no Google, deve encontrar várias referências.

Mas todas as explicações convergem para a explicação de que sermos “médios” em alguma coisa significa que nossa produção naquela coisa está no mesmo nível se todos produzissem igualmente. Ou seja, nossa produção não merece nem xingamento, nem destaque.

Assim, sendo, assumindo a definição de “medíocre” como sendo alguém “médio” (o termo mediano, matematicamente, não é sinônimo de médio: explicação a ser dada em outro post) não é necessariamente pejorativa. Eu estou tentando ser medíocre em muitas coisas, visto que nessas coisas minha produção é abaixo da média. Um dia serei medíocre tocando bombo leguero, vivenciando Ayahuasca, falando espanhol e/ou esperanto ou na arte do Wu Shu Sanda ou até mesmo do Systema. Na escala evolutiva espiritual, um dia serei medíocre.

Todavia, me ofende ser chamado de professor medíocre, já que, pelo que vejo por aí, minha produção de modo algum pode ser considerada média ou abaixo desta. Também me ofenderia dizer que sou jogador de tabuleiro medíocre. Pior ainda: marido, filho, irmão ou amigo medíocre.

Aceitar que somos todos medíocres ou abaixo disso em várias coisas nos dá outra perspectiva. A humildade incentiva o crescimento, quando a mesma não vem acompanhada de baixa auto-estima. Me sinto confortável em aceitar que sou medíocre (ou abaixo disso) e convido a todos a aceitarem-se assim. Mas, ao aceitar isso, o próximo passo é tentar buscar elevar-se nas coisas que considera prioridade. Fica como sugestão: saúde, família, amigos, qualidade de vida e espiritualidade. Mas é tu que deves traçar esse caminho: eu sou medíocre demais para definir como tu deves viver tua vida (aliás, uma experiência espiritual me fez ver que ando querendo o controle de tudo e preciso parar com isso).

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé.

Professor Pesquisador x Professor Executor

Bom dia, irmãos.

Falar um pouco da minha profissão, de professor. Não estou baseando este post em nenhuma teoria científica, mas sim na observação, conversação com colegas e tal.

Embora cada professor seja único, é possível observar dois grandes grupos, que resolvi chamar de PESQUISADORES e EXECUTORES.

O professor PESQUISADOR:

  • Normalmente destaca-se em projetos de Iniciação Científica durante a faculdade;
  • Busca créditos optativos em publicações, eventos, etc;
  • Tenta engatar um mestrado assim que se forma;
  • Tenta engatar o doutorado assim que defende a dissertação;
  • Tem pouca ou nenhuma preocupação em atuar na sala de aula, a menos que seja necessário para sua pesquisa;
  • É um “caçador” de congressos;
  • Aprende a manha de escrever bons artigos;
  • Tem preocupação com seu currículo Lattes;
  • Quando termina um doutorado, tenta uma vaga na universidade federal;
  • Não faz questão de lecionar muitas disciplinas: de preferência somente as relacionadas com sua linha de pesquisa e com foco principal na “caça a orientandos”;
  • Não prioriza boa didática.

O professor EXECUTOR:

  • Normalmente destaca-se nas disciplinas ou nas práticas em sala de aula;
  • Busca créditos optativos em disciplinas mais arrojadas;
  • Tenta colocar-se no mercado antes mesmo de se formar;
  • Dá aula particular direto e busca cursinhos (profissionais ou voluntários) para atuar;
  • Pode até procurar um mestrado logo que se forma, mas sem se pressionar muito;
  • Vai em congressos para aprender coisas novas, mas não se preocupa tanto em publicar trabalhos;
  • Seus artigos, em menor número, normalmente são relatos de experiência;
  • Atualiza o currículo Lattes, mas não se cobra tanto nesse ponto;
  • Vibra com um mestrado profissional e seu sonho é um doutorado também profissional;
  • Não abre mão da sala de aula, a menos que seja realmente necessário;
  • Se for professor de universidade federal, tem sua preferência por disciplinas, mas atua como um professor de escola: mais preocupado com didática do que com futuros orientandos;
  • Talvez participe de projetos de pesquisa, mas normalmente não o faz e quando faz, são de menor vulto;
  • Na universidade, é mais discreto.

Ambos os profissionais são importantes. Graças ao pesquisador, existem materiais de consulta e projetos, tanto teórico quanto práticos, que contribuem para o conhecimento e para o trabalho do professor executor.

Todavia, no cenário acadêmico o professor executor costuma ser discriminado. Não se vê muito a sua importância. Professor executor tem didática boa e pode fazer grande diferença na vida de muitas pessoas. Um professor executor costuma deixar uma boa marca para um grande grupo (ensina bem, se preocupa, é “paizão” ou “maezona”, incentiva, acompanha). Um pesquisador costuma deixar sua marca pelo “conhecimento” e é significativo para um pequeno grupo de alunos que se identifica com sua linha de pesquisa.

Quando me refiro à discriminação, penso apenas nos aspectos da carreira (de modo algum sustento que haja algum tipo de “bullying”).

Em concursos públicos para o magistério federal, um mestrado pode pontuar a mesma coisa do que muitos anos de experiência profissional. O candidato com doutorado, mesmo não indo muito bem na prova teórica e na didática, pode ganhar a vaga pela titulação.

Um doutor recém-ingressante pode iniciar ganhando mais do que um especialista com 20 anos de experiência.

Não creio ser justo um professor executor precisar fazer um doutorado quando não se identifica com a vida acadêmica para ser valorizado pelo seu empenho e dedicação em sala de aula (sem ele, quase todos os professores pesquisadores não existiriam). Felizmente, mudanças estão ocorrendo: mestrados profissionais (talvez, em breve, doutorados), programas que ocorrem durante o verão (para professores atuantes), incentivo à pesquisa aplicada (aquela que é menos teórica e mais voltada para a vida prática) e o incentivo na carreira do EBTT (Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) denominado de RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), que gratifica o profissional:

  • RSC I: graduado recebe a retribuição de especialista;
  • RSC II: especialista recebe a retribuição de mestre;
  • RSC III: mestre recebe a retribuição de doutor.

Essa gratificação é condicionada a uma vida profissional diferenciada (isto é: o professor que “se limitou” a “dar aulas” tem poucas chances, mas aquele que publica artigos, vai a congressos, tem experiência, orienta alunos, participa de projetos de pesquisa e extensão, faz cursos é contemplado mediante parecer firmado por 04 pares).

São os pequenos passos que levam ao equilíbrio da balança, permitindo que o profissional possa atuar de acordo com o seu perfil: pesquisador ou executor. E, sempre lembrando, para encerrar, que os rótulos servem apenas para a nossa compreensão: um professor pesquisador pode ser excelente na sala de aula e um professor executor pode ter ótimos artigos e pesquisar. Mas o que defendo aqui é a liberdade de escolha e da construção de caminho, o que no passado não existia, pois o professor pesquisador era uma categoria superior, de fato.

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé (um apaixonado executor! 🙂