Roberto Gómez Bolaños – O homem com “Chaves” do riso e do céu

Embora a mídia Internet já tenha feito tantas divulgações, é com grande pesar que comunico aqui a despedida do ator, diretor e maior humorista de todos os tempos Roberto Gómez Bolaños, o Chaves.

Lidar com a morte, seja de um familiar, parente, amigo ou de uma pessoa que admirávamos por alguma razão nunca é uma tarefa fácil. Para mim, que sou espiritualista, acaba sendo até mais difícil, pois existem duas cobranças: a da sociedade católico-cristã, que espera tristeza e lágrimas e a da espiritualidade, que espera que meu conhecimento e fé permitam que eu aja com naturalidade, já que a morte é uma transformação.

Mas hoje é sábado, 10h15. Há meia-hora atrás estava me preparando para treinar e resolvo abrir e-mail e Facebook para saber se tem alguma novidade: dito e feito. O post de um amigo colocou uma homenagem profunda, como só ele sabe escrever, mas eu ainda não estava sabendo do ocorrido. Uma rápida pesquisa me deu a real: Chaves falecera.

O sentimento de tristeza foi natural. Não existia mais treino. A morte pode ser, de fato, uma transformação, mas ainda é uma despedida. Eu sei que existem pessoas que comunicam-se com os “mortos”, mas a mesma não é, com certeza, tão eficiente quanto um telefone ou um recado no Facebook. Além disso, a pessoa viva, encarnada, está à nossa disposição (dentro dos seus horários e desejos) caso queiramos visitá-la. Os desencarnados, não. Portanto, me parece lógico (e natural) o sentimento de tristeza para com a morte.

O humor de Chaves é bem diferente do que é hoje. Minhas piadas, as quais adoro fazê-las, foram inspiradas nos trocadilhos de duplo sentido (sem conotação sexual) manifestados nos diversos episódios desse programa. E até mesmo ensinamentos de vida, alguns com toque de humor, outros com reflexão. Sem dúvidas, o roteiro foi bolado por inteligências muito especiais.

E, para nosso planeta, é triste que alguém assim se vá. A despedida faz parte da vida. As pessoas que são boas demais precisam migrar: existem outros mundos para onde elas devem levar seu talento e suas alegrias. Aqui, Chaves estava muito doente………Lá, ele deve estar em pleno vigor.

Adeus, amigo Chaves, e obrigado, obrigado, obrigado porque na infância me alimentei com tua alegria e, hoje, de uma forma diferente, como professor de Matemática, tento misturar a ciência com humor, para não assustar a classe e até descontrair um pouco. O pessoal tem medo de Matemática, as risadas tranquilizam. E se aprendi a valorizar a risada e a sabedoria das crianças foi contigo. Obrigado por me deixar esse presente. Espero até o fim da minha carreira poder fazer bom uso do teu ensinamento.

Desejo a ti, amigo, no meio de tanta tristeza que este planeta, principalmente a América Latina, que possas levar teu estilo brilhante de ser, às outras moradas do Pai e também inspirar os que aqui ficam.