Pega Ladrão: Isso tem a ver com políticos???

Citando alguns trechos de música. A começar pelo Gabriel Pensador, letrista que tem minha admiração:

“- Tira esses malandros poder executivo
– Tira esses malandros do poder legislativo
– Tira esses malandros do poder judiciário
– Tira a grana deles que eu já cansei de ser otário
– Tira esses malandros do poder municipal
– Tira esses malandros do poder estadual
– Tira esses malandros do Governo Federal
– Tira a grana deles e aumenta o meu salário!!!”

Outro artista que admiro, o humorista gaúcho Paulinho Mixaria, que também tem suas músicas, coloca a seguinte letra:

– Se tu entrar no meu portão
com um santinho na mão,
eu vou gritar PEGA-LADRÃO
e vou te afofar de pau!

O que há em comum nos trechos citados? O manifesto contra os políticos e suas corrupções. Não discordo. Existe corrupção: todo mundo sabe. Papo batido já. Mas o que pretendo colocar aqui, meus irmãos, é uma novidade não tão nova assim. Este post será norteado pela frase abaixo (minha autoria):

A única diferença entre políticos e os demais é que os primeiros têm a chave do cofre

Sim, tenho certeza de que muitos que reclamam dos políticos, hoje, se assumissem cargos políticos tentariam favorecer a si e aos seus com a corrupção. Por que eu afirmo isso tão categoricamente? Muito simples: eu vejo muita corrupção no brasileiro.

Oportunidade para roubar no troco – tanto o comerciante que manipula cálculos quanto o cliente que fica com aquele real a mais.

Trânsito – se não tiver autoridade na rua, fura sinal vermelho, desrespeita limite de velocidade, fala no celular, ultrapassa na faixa contínua, trafega pelo acostamento e outros tantos males.

Utilizam o computador do serviço (tendo serviço pendente) para coisas pessoais e minimiza rapidinho quando chega o chefe. Ou o aluno de escola pública que minimiza o Facebook quando o professor se aproxima.

Alunos que faltam as aulas e inventam historinha para boi dormir para tentar ganhar uma presença e não perder certificado.

Pessoas que se inscrevem em eventos gratuitos, com vagas limitadas e desistem por qualquer motivo, empatando a vaga e impedindo outra pessoa interessada de participar.

Vendedor de automóvel que passa informações dúbias, enroladas e cálculos mal feitos, mas mascarados, para empurrar uma “armadilha” pro cliente – incentivado pelo chefe e pela comissão.

Vendedor de computador que utiliza seu conhecimento de Informática para enganar um cliente. Carro e computador muita gente compra, mas só sabe o básico. Ninguém é obrigado a ser mecânico ou técnico em informática, né gente?

Estacionam em fila dupla para pegar o filhinho na porta da escola, trancando todo o trânsito no arredor só porque o “príncipe” não pode caminhar meia quadra (até sou compreensivo quando trata-se de criança com dificuldade de locomoção, mas não é disso que estou falando).

Professor que dá nota alta em prova didática de concurso para magistério para o ex-colega de farra da faculdade (quando ele não merece tal nota, evidentemente. Nada contra um bom profissional, conhecido da banca, ser bem avaliado quando merece).

Usar telefone e material de expediente da empresa ou escola para interesse pessoal.

Patrão que nega direitos trabalhistas aos empregados de baixo escalão, crendo que eles não vão se dar o trabalho de processar. E nem terão recursos. E nem arriscarão o emprego e a má referência.

Furar fila – invadir vaga no estacionamento.

E, com 11 anos de serviço público, não preciso fazer o rol das pequenas corrupções do dia a dia…….

Daí me pergunto, agora analisando do ponto de vista espiritual, por que o Brasil sofre com a corrupção no meio político? Será que somos vitimas de pessoas que ganharam nosso voto ou será que inconscientemente nos identificamos com os malandros?

No Brasil, ser honesto não é virtude, nem obrigação: é sinônimo de burrice. Me lembro que há algum tempo atrás eu li a seguinte piada:

“Quatro pessoas estavam andando na rua:
uma loira inteligente, um baiano trabalhador, um árabe e um brasileiro honesto.
Um deles encontrou uma lâmpada mágica. Quem foi?

A resposta: o árabe.
Loira inteligente, baiano trabalhador e brasileiro honesto não existem!!”

Essa piada já fez 15 anos de aniversário há muito tempo. Na época, engraçada. Mexia com os principais estereótipos. Hoje, esse tipo de piada perdeu o sentido. Mas vamos nos ater no foco: a piada diz que “brasileiro honesto não existe”. É preocupante que o brasileiro tenha adquirido para si essa fama (a piada acima não foi criada por estrangeiros e traduzida, que fique claro). Tal fama se reforça em outra piada.

Conta-se que sr.Vivas conhecia o mundo como a palma da sua mão de tanto viajar.
No avião, sempre colocava o braço pra fora
e de olhos fechados identificava o país.
Exemplos:

– Agora estamos na França. Sinto a Torre Eifel.
– Agora estamos na Itália. Sinto as Ruínas do Coliseu.
– Agora estamos na China. Sinto a Muralha da China.
– Agora estamos no Brasil. Acabaram de roubar meu relógio.

Cabe lembrar que nossa “fama” tem alcance mundial, infelizmente. E a fama é sempre um exagero, mas reporta um pouco da nossa realidade. Temos o “Brazilian Way” (jeitinho brazuca) que, lamentavelmente, já tem uma expressão em inglês, o que mostra a internacionalização da fama.

Voltando ao aspecto espiritual: irmãos, o que podemos e devemos fazer para melhorar não apenas a nossa imagem, mas a nossa postura de fato. É difícil resistir à tentação e as frases “todo mundo faz”, “ninguém vai dar por falta” incorporaram nosso comportamento.

Por favor, irmãozinhos, ajudem-me a entender essa charada.

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé.