Professor Pesquisador x Professor Executor

Bom dia, irmãos.

Falar um pouco da minha profissão, de professor. Não estou baseando este post em nenhuma teoria científica, mas sim na observação, conversação com colegas e tal.

Embora cada professor seja único, é possível observar dois grandes grupos, que resolvi chamar de PESQUISADORES e EXECUTORES.

O professor PESQUISADOR:

  • Normalmente destaca-se em projetos de Iniciação Científica durante a faculdade;
  • Busca créditos optativos em publicações, eventos, etc;
  • Tenta engatar um mestrado assim que se forma;
  • Tenta engatar o doutorado assim que defende a dissertação;
  • Tem pouca ou nenhuma preocupação em atuar na sala de aula, a menos que seja necessário para sua pesquisa;
  • É um “caçador” de congressos;
  • Aprende a manha de escrever bons artigos;
  • Tem preocupação com seu currículo Lattes;
  • Quando termina um doutorado, tenta uma vaga na universidade federal;
  • Não faz questão de lecionar muitas disciplinas: de preferência somente as relacionadas com sua linha de pesquisa e com foco principal na “caça a orientandos”;
  • Não prioriza boa didática.

O professor EXECUTOR:

  • Normalmente destaca-se nas disciplinas ou nas práticas em sala de aula;
  • Busca créditos optativos em disciplinas mais arrojadas;
  • Tenta colocar-se no mercado antes mesmo de se formar;
  • Dá aula particular direto e busca cursinhos (profissionais ou voluntários) para atuar;
  • Pode até procurar um mestrado logo que se forma, mas sem se pressionar muito;
  • Vai em congressos para aprender coisas novas, mas não se preocupa tanto em publicar trabalhos;
  • Seus artigos, em menor número, normalmente são relatos de experiência;
  • Atualiza o currículo Lattes, mas não se cobra tanto nesse ponto;
  • Vibra com um mestrado profissional e seu sonho é um doutorado também profissional;
  • Não abre mão da sala de aula, a menos que seja realmente necessário;
  • Se for professor de universidade federal, tem sua preferência por disciplinas, mas atua como um professor de escola: mais preocupado com didática do que com futuros orientandos;
  • Talvez participe de projetos de pesquisa, mas normalmente não o faz e quando faz, são de menor vulto;
  • Na universidade, é mais discreto.

Ambos os profissionais são importantes. Graças ao pesquisador, existem materiais de consulta e projetos, tanto teórico quanto práticos, que contribuem para o conhecimento e para o trabalho do professor executor.

Todavia, no cenário acadêmico o professor executor costuma ser discriminado. Não se vê muito a sua importância. Professor executor tem didática boa e pode fazer grande diferença na vida de muitas pessoas. Um professor executor costuma deixar uma boa marca para um grande grupo (ensina bem, se preocupa, é “paizão” ou “maezona”, incentiva, acompanha). Um pesquisador costuma deixar sua marca pelo “conhecimento” e é significativo para um pequeno grupo de alunos que se identifica com sua linha de pesquisa.

Quando me refiro à discriminação, penso apenas nos aspectos da carreira (de modo algum sustento que haja algum tipo de “bullying”).

Em concursos públicos para o magistério federal, um mestrado pode pontuar a mesma coisa do que muitos anos de experiência profissional. O candidato com doutorado, mesmo não indo muito bem na prova teórica e na didática, pode ganhar a vaga pela titulação.

Um doutor recém-ingressante pode iniciar ganhando mais do que um especialista com 20 anos de experiência.

Não creio ser justo um professor executor precisar fazer um doutorado quando não se identifica com a vida acadêmica para ser valorizado pelo seu empenho e dedicação em sala de aula (sem ele, quase todos os professores pesquisadores não existiriam). Felizmente, mudanças estão ocorrendo: mestrados profissionais (talvez, em breve, doutorados), programas que ocorrem durante o verão (para professores atuantes), incentivo à pesquisa aplicada (aquela que é menos teórica e mais voltada para a vida prática) e o incentivo na carreira do EBTT (Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) denominado de RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), que gratifica o profissional:

  • RSC I: graduado recebe a retribuição de especialista;
  • RSC II: especialista recebe a retribuição de mestre;
  • RSC III: mestre recebe a retribuição de doutor.

Essa gratificação é condicionada a uma vida profissional diferenciada (isto é: o professor que “se limitou” a “dar aulas” tem poucas chances, mas aquele que publica artigos, vai a congressos, tem experiência, orienta alunos, participa de projetos de pesquisa e extensão, faz cursos é contemplado mediante parecer firmado por 04 pares).

São os pequenos passos que levam ao equilíbrio da balança, permitindo que o profissional possa atuar de acordo com o seu perfil: pesquisador ou executor. E, sempre lembrando, para encerrar, que os rótulos servem apenas para a nossa compreensão: um professor pesquisador pode ser excelente na sala de aula e um professor executor pode ter ótimos artigos e pesquisar. Mas o que defendo aqui é a liberdade de escolha e da construção de caminho, o que no passado não existia, pois o professor pesquisador era uma categoria superior, de fato.

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé (um apaixonado executor! 🙂

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Aprendi com quem estou falando!

Bom dia, irmãos.

Para este post ter sentido, é necessário visualizar o vídeo que compartilho abaixo, do Prof. Dr. Mário Cortella, teólogo.

Em primeiro lugar, vale a pena dizer que mesmo não sendo um “cristão oficial” (não sou de nenhuma igreja e as mesmas me causam até certa ojeriza), aprendi a admirar, respeitar e compartilhar de pensamentos de alguns teólogos.

(Parênteses para homenagear meu amigo Ruben, doutorando em teologia. Apreciem seu blog As Muitas Letras sem moderação)

 Voltando: quantas vezes não nos encontramos com pessoas que utilizam seus cargos ou titulação profissional para esnobar-se ou, pior, humilhar os outros. Quantos seres humanos não se colocam acima dos outros?

Tanto o Doutor Francisco quanto o Seu Chico têm muito o que contribuir para o mundo com sua sabedoria.

Talvez o Doutor Francisco possa contribuir com seus conhecimentos intelectuais, seus artigos ou livros publicados: é provável que se tenha uma conversa de alto nível com o Doutor Francisco.

Por outro lado, o Seu Chico poderá nos ensinar muito sobre a beleza da Mãe Natureza, do trato com os animais, da magia de alimentar muitos com tão pouco e, principalmente, das virtudes humanas.

O pescador pode explicar sobre as épocas boas de pescar e a moderação para permitir a procriação dos peixes e o Matemático pode enxergar uma equação diferencial nessa explicação.

O fato é único: ninguém tem o direito de subir no pedestal. Todos estamos juntos. Todos somos um. Todos os Humanos são Manos. Todos têm lições para aprender e para ensinar. Todos somos, paralelamente, professores e alunos. Apreciem sem moderação o que os outros têm para contribuir antes de olhar seus diplomas.

Não caia na armadilha de priorizar o “quem disse” ante ao “o que foi dito”.

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé.

Obrigado, gratidão, desculpe e perdão

Bom dia, meus irmãos.

Um aprendizado interessante que tive recentemente foi o uso das palavras de agradecimento e de absolvição.

A começar, pelas de agradecimento. Quando queremos agradecer alguém por alguma coisa (uma gentileza, um presente, um favor atendido), dizemos “Obrigado”. Por outro lado, pelo menos no português brasileiro, essa palavra tem outras conotações não tão agradáveis, pois ela lembra obrigação, isto é, imposição. Exemplos:

Eu sou obrigado a votar” (se eu não votasse, eu pagaria uma multa e até regularizar perderia privilégios como inscrever-me num curso superior, viajar para o exterior ou assumir novo cargo público)

Sentido obrigatório – placa de trânsito” (se eu não seguir, provavelmente irei abalroar outro veículo, atropelar alguém que não esperava um carro nessa direção ou, na melhor das hipóteses, ser multado, xingado ou vaiado)

Interessante como a palavra “Obrigado” é usada de duas formas tão diferentes: imposição de algo e gratidão.

Ano passado fui abençoado em conhecer um irmão muito especial e observei algo interessante nele. O meu irmão, ao agradecer, une as mãos e diz “Gratidão”. Não me recordo dele usar a palavra “Obrigado”. Entendi, após um sábio ensinamento xamânico (abordarei mais em outro post), que ele (e os outros irmãos que assim procedem) diferencia os sentimentos (“Obrigado” é uma imposição e “Gratidão” é o agradecimento). Difícil de acostumar, como tudo na vida, porém um hábito bonito, sem dúvidas.

Agora, a questão do perdão, essa é mais recente, ainda estou amadurecendo. Para mim, por muito tempo “Desculpa” e “Perdão” têm a mesma conotação, exceto pelo formalismo do termo “Perdão”…..Mas, ainda no mesmo ensinamento: “Desculpa” é a junção do prefixo “des” com a palavra “culpa”. No português brasileiro, tal prefixo é empregado para inverter o sentido da palavra (“descansado” = sem cansaço, ideia “descabida” = ideia que não cabe, etc). Portanto “desculpa” significa “sem culpa”. Ou seja, quando tu dizes “Desculpa”, está dizendo “Por favor, isente-me da culpa”.

Já o “Perdão” quer dizer: “Eu aceito a culpa, mas por favor isente-me da punição”.

Qual a diferença? Na prática, talvez nenhuma a olhos nus. Mas uma análise espiritual poderia diferenciar da seguinte maneira:

* Desculpa = “Eu percebi que fiz bobagem, mas só o fiz porque não venci a lição que me possibilitaria agir sem errar. Quero vencer essa lição e peço que isente minha culpa, pois eu sou um aprendiz da vida”

* Perdão = “Eu percebi que fiz bobagem, mesmo já vencido essa lição. Assumo que sou culpado, mas peço para não ser punido, pois não pretendo repetir esse erro”.

Essa é minha visão: não tomar como regra. Mas refletir, e até se quiser me ajudar, será bem vindo ou bem vinda.

Abraços fraternos de luz.

Professor Pajé.